
A figura com os braços erguidos simboliza a alma em oração e a esperança na ressurreição.
Onde fica a Catacumba de Priscila em Roma
A Catacumba de Priscila em Roma está localizada na Via Salária, nº 430, uma das antigas vias de acesso à cidade. Diferente de outras catacumbas romanas, sua origem não foi inicialmente cristã.
O local era um arenarium, uma pedreira de pozolana (material vulcânico utilizado na construção), que foi abandonada após um desmoronamento que bloqueou sua entrada principal.
Foi somente no início do século III que os cristãos começaram a utilizar esse espaço, adaptando as galerias já existentes para sepultamentos.
Origem e formação da Catacumba de Priscila
A catacumba foi construída em dois níveis, e provavelmente recebeu seu nome de uma mulher chamada Priscila, pertencente à família senatorial dos Acili, cujo nome aparece em uma inscrição no hipogeu familiar.
No primeiro nível, os cristãos escavaram:
- sepulcros em forma de nicho
- centenas de lóculos nas paredes
- galerias amplas e irregulares
Muitos desses espaços foram posteriormente fechados por muros, com o objetivo de evitar desabamentos – algo comum nas estruturas subterrâneas da época.
Ali se encontram os sepulcros mais antigos, incluindo o hipogeu dos Acili e um dos espaços mais importantes de toda a arte cristã primitiva: a Capela Grega.
Para quem deseja conhecer a Catacumba de Priscila, é possível consultar visitas guiadas e horários:
A Capela Grega: um dos espaços mais antigos da fé cristã
Seu nome vem de inscrições em língua grega encontradas no local, dedicadas a membros de uma mesma família.
A chamada Capela Grega, datada do final do século III, é um ambiente retangular dividido por um grande arco em dois setores.
A decoração da capela remonta à segunda metade do século II, sendo uma das mais antigas das catacumbas romanas. Nela encontramos:
- afrescos com temas bíblicos
- ornamentações simbólicas
- painéis pintados imitando mármore
- elementos teológicos profundos, expressos por imagens simples
As primeiras imagens cristãs: símbolos de fé e esperança
Na Capela Grega e nos espaços próximos, as pinturas revelam a fé dos primeiros cristãos, ainda em tempos de perseguição.
Entre as representações mais importantes estão:
- A Adoração dos Magos (Mateus 2)
Considerada uma das mais antigas representações conhecidas da Virgem Maria com o Menino, símbolo da manifestação de Cristo ao mundo. - Os Três Jovens na fornalha (Daniel 3)
Símbolo da fidelidade a Deus mesmo diante da morte. - Moisés fazendo brotar água da rocha (Êxodo 17,6)
Uma prefiguração do Batismo. - A cura do paralítico
Sinal da misericórdia e da conversão. - A história de Susana (Daniel 13)
Expressão da confiança em Deus nas perseguições.
Essas imagens não são apenas decorativas – elas são uma verdadeira catequese visual, transmitindo esperança, fé e perseverança.

Na Catacumba de Priscila, essa cena expressa a fidelidade dos primeiros cristãos diante das perseguições e a confiança na proteção divina.
Símbolos cristãos nas catacumbas: ressurreição e vida eterna
Outros elementos simbólicos aparecem nas paredes e galerias:
- a fênix, que renasce do fogo – símbolo da ressurreição
- espigas de trigo – representação da vida e do tempo
- o Bom Pastor, imagem de Cristo que guia e protege
Também aparecem cenas como:
- Daniel na cova dos leões
- o sacrifício de Abraão
- a ressurreição de Lázaro
Todos esses temas apontam para uma única realidade: a esperança na vida eterna.
Para compreender melhor o contexto das catacumbas e sua importância na fé dos primeiros cristãos, veja também nosso artigo:
Catacumbas de Roma
O cubículo da Velatio: vida, casamento e maternidade
Um dos espaços mais conhecidos da catacumba é o chamado cubículo da Velatio, decorado no século III.
Nele encontramos um conjunto de pinturas que narram momentos da vida de uma mulher cristã:
- seu casamento, com o véu nupcial (flammeum)
- a entrega do documento matrimonial (tabula nuptialis)
- sua maternidade, com o filho nos braços
- sua oração final, com os braços erguidos
Essa representação mostra algo profundo:
a vida cristã não estava separada da vida cotidiana – ela se vivia no matrimônio, na família e na fé.
A imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus
Na abóbada de uma das galerias aparece uma das representações mais preciosas da história cristã:
uma das mais antigas imagens conhecidas da Virgem Maria com o Menino Jesus, datada do século III.
Ao lado dela, está o profeta Balaão, apontando para a estrela – uma referência à vinda do Messias.

Datado do século III, é considerado uma das imagens mais antigas ligadas à devoção cristã primitiva.
Papas sepultados na Catacumba de Priscila
A catacumba também se tornou lugar de sepultamento de diversos papas, entre eles:
- São Silvestre (314–335)
- Libério (352–366)
- Sirício (384–399)
- Celestino I (422–432)
- Vigílio (537–555)
Esses dados confirmam a importância do local na história da Igreja primitiva.
Estrutura do segundo nível
Diferente do primeiro, o segundo nível da catacumba apresenta:
- galerias organizadas e planejadas
- corredores paralelos
- ramificações em forma de espinha de peixe
Esse nível demonstra uma evolução na construção e organização dos espaços funerários cristãos.
A fé dos primeiros cristãos
A Catacumba de Priscila em Roma não é apenas um local arqueológico.
Ela é um testemunho concreto da fé vivida em meio às dificuldades, perseguições e incertezas dos primeiros séculos do cristianismo.
Ali, nas paredes simples e nas imagens discretas, encontramos uma fé firme:
- que crê na ressurreição
- que espera na vida eterna
- que permanece fiel a Cristo
Mesmo no silêncio das galerias subterrâneas, essa fé continua a falar.
Se você deseja organizar sua visita e conhecer outros locais importantes da Roma Cristã, veja nosso guia completo:
Ingressos para Roma Cristã
Visitar a Catacumba de Priscila em Roma é entrar em contato com as origens da Igreja, com a simplicidade dos primeiros cristãos e com uma esperança que atravessou os séculos.
Ali encontramos não apenas sepulturas, mas sinais de uma vida entregue a Deus – vivida no cotidiano, na família e com fidelidade.
Referência:
Guía de las Catacumbas de Roma. SCALA, 2013. Introdução de Umberto M. Fasola; textos de Fabrizio Mancinelli.
Imagens ilustrativas – domínio público (Wikimedia Commons).